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Izabela Hendrix debate impactos da mineração em aquíferos

por rodrigo.melo publicado 19/10/2016 16h25, última modificação 19/10/2016 16h25
Mesa-redonda analisou prejuízos oriundos do garimpo no Quadrilátero Ferrífero
Izabela Hendrix debate impactos da mineração em aquíferos

Disposto a levar adiante a discussão de assuntos relevantes para a sociedade brasileira, o Centro Universitário Izabela Hendrix organizou uma mesa-redonda com o tema “Água x Mineração: qual desses bens deve ser priorizado pela sociedade brasileira?”. O debate foi realizado como parte da 3ª edição da Semana de Extensão Universitária e Responsabilidade Social, ocorrida no último mês de setembro.

A mesa-redonda promoveu reflexões a partir do fato de que grande parte das jazidas minerárias do Quadrilátero Ferrífero estão situadas sobre importantes aquíferos do vetor sul da região metropolitana de Belo Horizonte, bem como de áreas adjacentes localizadas no Colar. As discussões foram conduzidas e mediadas por Leandro Souza e Regina Maria Costa, professores do curso de Arquitetura e Urbanismo.

Para contextualizar o debate, Leandro Souza explicou que as jazidas minerais locais são exploradas por meio de um processo produtivo bem específico, composto por: instalação de infraestruturas minerárias, extração, primeira separação do minério, transporte interno, britagem, transporte interno por correias, peneiramento, estocagem, carregamento de vagões e transporte para os portos. “Na primeira separação, aproximadamente metade do material extraído não é minério, sendo tratado como rejeitos e depositados em barragens”, esclarece.

O centro das discussões da mesa-redonda passou pelos prejuízos oriundos do garimpo no Quadrilátero Ferrífero, que abriga as jazidas minerárias e importantes aquíferos que servem como fontes de água para abastecimento humano. “Quando sobrepomos as áreas mineradas com os principais pontos de captação de água na região, o conflito é notório”, afirma Leandro Souza, que explica que muitas das jazidas estão ‘submersas’ pelos aquíferos profundos e seria necessário rebaixar o nível deles para acessá-las.

O professor também conta que as cangas de minério presentes na composição geológica atuam como ‘esponjas naturais’ e captam água para o sistema hídrico. “Na mineração, as cangas são removidas, o lençol freático é rebaixado e o minério de ferro, localizado sobretudo na Formação Cauê, é extraído. Tal processo compromete, significativamente, o equilíbrio do sistema hídrico”, acusa.

Sobre a importância de abordar o tema, o docente entende que, apesar de relevante, o assunto não está completamente difundido na sociedade. “O debate ‘Água x Mineração’ é uma pauta urgente para o equilíbrio socioambiental da região. As discussões acadêmicas podem contribuir para a difusão de análises e sínteses sobre a questão, com repercussões sobre licenciamento ambiental de novos empreendimentos ligados a abastecimento de água e mineração”, opina. “A mesa-redonda foi muito proveitosa e permitiu conversas profícuas sobre as novas diretrizes para a Política Ambiental de Minas Gerais”, complementa.

Leandro Souza considera ainda que atividades como o debate promovido pelo Izabela Hendrix contribuem imensamente para a qualidade de ensino da instituição. “A extensão universitária busca conformar olhares que vão além das práticas didáticas comumente estabelecidas em sala de aula, bem como buscam constituir novas abordagens, distintas daquelas estabelecidas pelo mercado. Essa nova visão, apresentada à sociedade e aos discentes, contribui para uma formação profissional mais competente e, sobretudo, engajada”, arremata.