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NOTA DE REPÚDIO À APOLOGIA DA TORTURA

Izabela Hendrix apoia o manifesto da 3ª RE Metodista contra afronta aos Direitos Humanos

 

“Ai dos que chamam de bem o mal e de mal, o bem. Fazem da escuridão a luz e da luz, escuridão. Fazem passar por amargo o que é doce e por doce, o amargo”. Isaías 5,20.


A atual situação social que o Brasil tem vivido nos faz clamar por tolerância e discernimento. Os acontecimentos políticos contemporâneos produzem efeitos nas relações sociais que podem trazer malefícios e desentendimentos. Temos acompanhado a radicalização e a polarização de opiniões na mídia, nas relações sociais, de trabalho, familiares e nas redes sociais, muitas vezes acompanhados de ofensas e hostilidades mútuas.

No último domingo o país acompanhou a votação da abertura do processo de impedimento da presidenta Dilma Rousseff com grande interesse. Nesse processo, no qual cada parlamentar era chamado nominalmente para votar de maneira aberta e a justificar seu voto, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) dedicou seu voto à memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do DOI-CODI de São Paulo, órgão de repressão política que foi palco de torturas e assassinatos durante a ditadura civil-militar instaurada a partir de 1964.

Não se pode calar diante do insulto que se constituiu à história, às instituições da República e aos valores democráticos e republicanos do povo brasileiro o discurso do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), antes de pronunciar o seu voto em plenário.

Portanto, a Assessoria de Direitos Humanos da Igreja Metodista na Terceira Região Eclesiástica manifesta seu repúdio ao discurso do referido deputado, enfatizando que:

1. A convivência de posicionamentos divergentes e a pluralidade social expressa neles e por eles é natural ao regime democrático. No entanto, este princípio não pode ser usado como justificativa por alguém que defenda o uso da violência contra seus contrários, na tentativa torpe de disfarçar seu próprio autoritarismo e recusa ao diferente;

2. O elogio público a um reconhecido torturador do período em que o país viveu sob Ditadura Militar é abominável. Em nenhum Estado Democrático de Direito este ato é admissível, pela sua própria natureza corrosiva dos direitos básicos de toda e qualquer pessoa.

3. A lembrança do sofrimento pessoal, físico e psicológico, causado pelo torturador à Dilma Rousseff, segundo o próprio deputado, é afronta gravíssima aos direitos humanos no Brasil. A ofensa excede e muito os limites do exercício da função pública de Presidenta, pelo qual Dilma Rousseff estava sendo julgada na sessão, e atinge essencialmente sua biografia pessoal como jovem cidadã brasileira, então com vinte e três anos de idade que, como inúmeros outros jovens de sua geração, insistiram na defesa de seus ideais políticos num regime contra o qual faziam oposição. Por todas estas razões, tal evocação configura-se não apenas como defesa da tortura, mas já é uma tortura em si.

Por fim, reafirmamos nossa constante vigilância para que o discurso odioso, desagregador e desrespeitoso do deputado Jair Bolsonaro não encontre guarida em nossa sociedade, especialmente entre o povo evangélico, haja vista que raríssimas foram as vezes em que nos deparamos na História com forças tão evidentemente contrárias ao Evangelho. Todavia, recebemos o precioso legado de que em todas estas vezes, tais forças foram superadas pela fé, esperança e amor.