Você está aqui: Página Inicial / Humanidades1 / Artigos / O Jesus Histórico na Universidade, um resgate a partir da teologia

O Jesus Histórico na Universidade, um resgate a partir da teologia

O Jesus Histórico na Universidade, um resgate a partir da teologia
por Edésio de Oliveira Rocha 


Teologia (do grego θεóς, theos = "Deus" + λóγος, logos =  palavra", por extensão, "estudo"), no sentido literal, é o estudo sobre Deus. Como não é possível estudar diretamente um objeto que não vemos e não tocamos, estuda-se Deus a partir da sua revelação, ou, em termos seculares, conforme suas representações nas variadas culturas. 

A teologia acontece nas mais diversas religiões e, portanto, existe a teologia budista, a teologia islâmica, a teologia cristã, a teologia mórmon, a teologia umbandista, a teologia hindu, e outras. 

A teologia cristã já superou os espaços por onde transitou da Idade Média até a modernidade. O saber que se desenvolveu por séculos entre a igreja e a academia alcançou outros espaços, considerados laicos nas últimas décadas. Hoje os teólogos e teólogas são lidos, ouvidos e convidados para conferências, mediações e assessorias; além de fé e doutrinas falam das relações com a bioética, com a cultura, com o meio ambiente, com a ecologia, com a educação etc. A teologia que no passado estava confinada ao ambiente religioso confessional dos seminários ocupou espaços no meio secular, público, popular. No Brasil, se faz teologia desde o descobrimento/conquista, contudo, só em 2005 é formalmente reconhecido pelo MEC como curso superior. 

Para esta aula nosso recorte será à teologia cristã. Esta se dá a partir da revelação de Deus na Bíblia. O teólogo Karl Barth definiu a Teologia como um "falar a partir de Deus". Na tradição cristã a teologia é organizada segundo os dados da revelação e da experiência humana. 

Para a cristandade o ápice da revelação de Deus se deu na Encarnação de Seu Filho, Jesus Cristo. “...E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como a do unigênito do Pai”. (João 1. 1 a 14). 

Para Augusto Cury, a ciência foi tímida e omissa em pesquisar algumas áreas importantíssimas do conhecimento. Uma delas se relaciona aos limites entre a psique e o cérebro. Segundo ele, outra atitude tímida e omissa que a ciência cometeu foi a de ignorar o personagem que dividiu a história da humanidade. 

Cury no livro Análise da Inteligência de Cristo, o Mestre dos Mestres escreve: 

“Há pelo menos duas maneiras de uma pessoa ser deixada de lado: quando é considerada sem nenhum valor ou quando, na outra ponta, é tão valorizada que se torna intangível. Cristo foi rejeitado por diversos “intelectuais” de sua época, pois foi considerado um perturbador da ordem social e religiosa. Hoje, ao contrário, é tão valorizado que muitos o consideram intocável, distante de qualquer investigação”. (Cury, p. 49).


Segundo o autor citado, a omissão e a timidez da ciência fizeram com que Jesus Cristo fosse banido das discussões acadêmicas, não sendo estudado nas salas de aula. Na mídia brasileira a imagem da pessoa religiosa prática é caracterizada ou por beatas fofoqueiras que não tem o que fazer ou por “crentes” pobres e intransigentes vestidos de maneira totalmente atípica aos demais membros da sociedade. Por desconhecimento ou ignorância muitas pessoas que acreditam serem intelectuais marginalizam ou racionalizam a espiritualidade. Primeiro como coisa psicológica (“só os fracos tem fé”), depois, como coisa meramente sociológica (“só os pobres vão à igreja”), e por fim, como coisa filosófica (“só os ignorantes tem fé”). 

Cury como cientista propõe um estudo do personagem Jesus Cristo. Em seus escritos faz uma leitura muito pertinente resgatando fatos históricos do cotidiano do personagem. Os Evangelhos relatam que desde o nascimento até sua morte a vida de Jesus foi árida, não teve privilégios econômicos ou sociais. O sistema político e religioso foi intolerante com ele. Sua vida foi marcada desde a mais tenra infância por perseguição e sofrimento. Foi incompreendido, rejeitado, espancado, cuspido no rosto, condenado injustamente a pior das mortes, a da crucificação. 

A história não nos deixa esquecer que o ambiente sociopolítico de Israel nos dias de Jesus era angustiante, sobreviver era uma tarefa extremamente complexa. A fome e a miséria faziam parte do cotidiano das pessoas. Que o Império Romano dominava com mãos de ferro. Cury questiona, como um homem criado neste contexto pôde exalar tanto amor e sabedoria quando tudo conspirava contra? 

No contexto das humanidades a teologia na Universidade pode: 
Tirar o personagem Jesus Cristo da gaveta e dos estereótipos criados em torno de seus seguidores. 


Contribuir para que a dimensão do transcendente faça parte da formação acadêmica trazendo para a discussão uma visão mais pluralista e humana da religião. 
Ajudar, através da reflexão, diminuir a intolerância e a prepotência religiosa instalada em determinados segmentos religiosos. 

Provocar discussões em torno do comportamento da pessoa de Cristo tentando entender a atitude de alguém que no auge da fama: 

4.1 - Se escondia dos holofotes. 
4.2 - Evitava conscientemente não ser o centro das atenções. 
4.3 - Gostava de conviver com as pessoas sem qualquer valor social. 
4.4 - Se colocava avesso a todo sistema de discriminação e exclusão. 

A reflexão teológica na academia pode provocar nas pessoas, não importando quais sejam os fundamentos de sua crença, religião, posição social ou condição financeira a percepção que a mensagem do personagem central da revelação de Deus, Jesus Cristo, é universal. 

BIBLIOGRAFIA: 

1. Cury, Augusto, Análise da Inteligência de Cristo, o Mestre dos Mestres, 14ª, Academia de Inteligência, 1999, SP.