Você está aqui: Página Inicial / Ciências Biológicas / Notícias / Aula magna de Ciências Biológicas debate os impactos da mineração

Aula magna de Ciências Biológicas debate os impactos da mineração

Aula magna de Ciências Biológicas debate os impactos da mineração

Com o objetivo de discutir as consequências da mineração em Minas Gerais, o Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, realizou no dia 12 de março, a aula inaugural do curso, com o tema “Os impactos socioambientais da mineração no estado de Minas Gerais”. O evento contou com a participação do biólogo da Secretaria de Meio Ambiente de Brumadinho (SEMA), Vinicius Barbosa de Assis; biólogo Mateus Carvalho Ferreira; do representante nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Joceli Andrioli; e do arquiteto, professor, pesquisador e Coordenador de Extensão do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), Leandro de Aguiar e Souza. A mesa foi mediada pela professora do Centro Universitário, Ligiane Moras.

 A coordenadora do curso de Ciências Biológicas, professora Danielle Marciano, falou sobre os objetivos e a importância da atividade promovida aos estudantes do curso. “Nosso objetivo foi discutir as consequências socioambientais da mineração sob a ótica dos crimes ambientais ocorridos em Minas Gerais. É importante ampliar essas discussões para que entendamos as responsabilidades dos diversos atores envolvidos. Além de ser de grande importância para a formação dos nossos futuros biólogos”, contou.

A professora do curso de Biologia, Ligiane Moras falou sobre a influência que os alunos terão no futuro. “Os estudantes da área ambiental vão ter grande influência quando entrarem na área de gestão e consultoria ambiental, portanto, palestras como essa vão fazer com que eles tenham pensamento crítico de não apenas gerar relatórios infindáveis em licenciamentos, mas para que busquem compreender a questão social e não somente visar o dinheiro”, pontuou.

O debate
O palestrante Dr. Leandro de Aguiar e Souza falou sobre a atuação do profissional de biologia na área. “Precisamos ter uma compreensão sistêmica do circuito produtivo minerário e não podemos permitir que ele se dê da forma como ocorre hoje. Eu trouxe a bandeira técnica e política de que a mineração precisa estar submetida a uma rigorosa política de estado, uma política que ultrapassa governo, ela precisa ser bem construída pela sociedade. Os biólogos desempenham um papel importantíssimo na nossa produção técnica e científica, então eles têm um potencial muito significativo de produzir pesquisas e estudos sobre esse assunto”, explicou.

De acordo com o biólogo Mateus Carvalho, é preciso conhecer os passivos ambientais que são gerados durante o processo minerário. “Precisamos conhecer os passivos ambientais gerados para que a gente possa quantificá-los e utilizar os recursos minerais de forma racional. Será que a gente minera da forma que deve ser minerada? Será que todos os locais que a gente minera podem ser minerados? A área de valoração ecossistêmica é uma área em crescimento e com grande espaço pra pesquisa inclusive na aérea de trabalho. Precisamos do biólogo, pois é o principal profissional responsável por estudar e compreender o meio ambiente”, disse. 

Segundo o representante nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Joceli Andrioli é indispensável discutir o assunto com os futuros biólogos. “É importante debater o assunto com os estudantes para prepará-los como seres humanos. O nosso planeta vive a lógica do interesse e do lucro acima da vida, então é imprescindível mostrar outra visão para os alunos. Precisamos ser sujeitos dos nossos destinos, a lógica atual da humanidade está falida e não pode mais continuar. Essa lógica está botando em risco a humanidade e destruindo o planeta terra. É fundamental que os futuros estudantes busquem conhecimento enquanto seres humanos para ter uma visão mais holística de tudo que está acontecendo”, comentou.

O biólogo da Secretaria de Meio Ambiente de Brumadinho, Vinicius Barbosa de Assis, comentou como é significativo para os estudantes falar sobre assuntos ambientais. “Através desses debates de pensar e criar linhas de pensamento é que a gente vai ter cientistas biólogos com muito mais interesse em preservar o que deve ser preservado, além de saber como usar os recursos naturais”, falou.

O evento foi direcionado aos alunos de Biologia e aberto ao público.