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Projeto de extensão do curso de Fonoaudiologia leva qualidade de vida a deficientes auditivos

Iniciativa investiga usuários do Sistema de Frequência Modulada
Projeto de extensão do curso de Fonoaudiologia leva qualidade de vida a deficientes auditivos


O Sistema de Frequência Modulada é um aparelho utilizado por deficientes auditivos para facilitar a captação de som ao redor e compensar a limitação física existente. Popularmente conhecido por Sistema FM, o recurso tecnológico diminui os ruídos de fundo e permite a transmissão das ondas sonoras com nitidez. O mecanismo tem como objetivo melhorar a comunicação entre pessoas que têm a escuta defeituosa e seus interlocutores. O equipamento consiste em um transmissor e um receptor (pequeno dispositivo instalado junto a prótese oitiva) e é bastante utilizado em ambientes educacionais.

Ciente da importância do aparelho para inclusão de um grande contingente de pessoas à sociedade e sempre preocupado com a questão da acessibilidade, o Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix mantém o projeto de extensão “Qualidade de vida em deficientes auditivos usuários do Sistema de Frequência Modulada”. Vinculado ao curso de Fonoaudiologia, a iniciativa é comandada pelas professoras Cristiane Bueno Sales e Luciana Mendonça Alves e envolve discentes do 2° ao 6° período da graduação.

Surgido em 2015, o projeto teve como objetivo inicial investigar a qualidade de vida e o perfil de indivíduos com deficiência oitiva que receberam o Sistema de Frequência Modulada pelo Serviço de Atenção à Saúde Auditiva (SASA), do SUS (Sistema Único de Saúde), nas Clínicas Integradas Izabela Hendrix. “A partir do contexto encontrado, a tarefa do programa consistiu em apresentar e executar ações direcionadas aos usuários do aparelho, a seus familiares e à equipe educacional envolvida com a formação desta população”, explica a professora Cristiane Bueno Sales. As proposições tinham como finalidade promover ajustes e melhorias em todas as questões relacionadas à utilização do dispositivo.

Após atingidas as principais metas estabelecidas no ano anterior, 2016 impôs novos desafios para o projeto de extensão. “No momento, os principais objetivos são capacitar professores e pais de alunos que receberam o Sistema de Frequência Modulada, avaliar continuamente a qualidade de vida de seus usuários, verificar o conhecimento dos docentes quanto ao uso do dispositivo e à deficiência auditiva, além de descrever os resultados da análise de efetividade da utilização do aparelho”, esclarece a professora Luciana Mendonça Alves.

Realizações

Entre as ações promovidas pelo projeto até o momento, as professoras Cristiane Bueno Sales e Luciana Mendonça Alves destacam: a caracterização do perfil de crianças e adolescentes atendidos pelo SASA e que receberam o Sistema FM; a realização de cursos de aperfeiçoamento do recurso pelos alunos extensionistas para treinamento do uso e manuseio do aparelho; e as capacitações feitas para a comunidade científica (discentes, pais, professores e terapeutas dos escolares com limitações de escuta).

Além disso, o projeto também esteve em reunião com a Junta Reguladora de Saúde Auditiva da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (MG). O encontro serviu para traçar metas e estabelecer parcerias com as secretarias de Saúde e Educação para o planejamento das ações de capacitação dos professores dos deficientes auditivos usuários do Sistema FM.

Produção científica

O projeto de extensão também tem tido grande atuação na produção acadêmica de seus discentes, que tem apresentado trabalhos científicos em simpósios e congressos. Entre os eventos com participação dos envolvidos na iniciativa, o I Fórum de Pesquisa e Extensão do CEFET (Centro Federal de Educação Tecnológica), realizado em Curvelo (MG), possui grande relevância.

Com o tema “Acessibilidade: um direito de todos”, o evento contou com minicurso promovido pela equipe de trabalho do projeto de extensão. Batizada de "Sistema FM para pessoas com deficiência auditiva - orientações para o usuário e para o professor", a oficina foi ministrada por Priscila Pereira Sant'ana, egressa do Izabela Hendrix e integrante do programa no ano de 2015, em parceria com os atuais alunos extensionistas. A aula foi assistida por um público de 35 professores e estudantes interessados na inclusão de pessoas com limitações na escuta.

Com trabalho intitulado “Quality of life and use of the Frequency Modulation System for hearing impaired students”, os resultados do projeto de extensão também serão apresentados no 30th World Congress of the IALP (International Association of Logopedics and Phoniatrics) em Dublin, na Irlanda, entre os dias 21 a 25 de agosto deste ano.

Extensionistas

Além do promover melhoras na qualidade de vida dos usuários do Sistema FM, o projeto mantido pelo Izabela Hendrix proporciona aos alunos que integram a iniciativa experiências teóricas e práticas relacionados à Fonoaudiologia.

“O que me motiva a participar é saber que estou contribuindo com novos estudos para a Fonoaudiologia e notar que o Sistema de Frequência Modulada realmente pode ajudar os deficientes auditivos a melhorar sua qualidade de vida”, declara Francielly Xavier, integrante do programa. “O projeto é uma importante ferramenta para contribuir para o meu aprendizado, pois por meio dele tenho a oportunidade de sentir um gostinho da vida profissional ainda na graduação”, completa.

Para o também extensionista Edson Belarmino, a iniciativa representou uma mudança em seus objetivos na carreira. “Comecei o curso de Fonoaudiologia pensando em trabalhar com voz, mas a participação no projeto me fez descobrir o amor pela audiologia”, declara. O discente também destaca o caráter humano contido nas ações. “O cunho social e o trabalho de pesquisa feito no decorrer das atividades nos instigam a continuar crescendo academicamente”, revela. “É gratificante ver quando os usuários têm sua vida mudada após a utilização do FM e o apoio que nós damos”, finaliza.

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